Terça-feira, Novembro 10, 2009

Os melhores segundo os leitores do Blitz (1/5)

A revista Blitz fez anos e publicou os melhores artistas e projectos musicais portugueses de acordo com a votação dos seues leitores.

Eis a minha opinião dos eleitos:


Anos 60






Carlos Paredes - Respect. Muito mais do que o melhor guitarrista de Fado Coimbrão, Paredes dedilhava na sua guitarra todo o sentir de um povo. É-me impossível não sentir-me emocionado ao ouvir "Verdes Anos" ou "Movimento Perpétuo".




Amália Rodrigues - Omnipresente. Onde quer que se ouça Fado, Amália estará lá, mesmo que não seja ela a cantar, pois com ela o Fado ultrapassou a barreira da música popular das festas e Casas de Fado para se tornar num estilo musical de massas, reconhecido inclusivamente fora de Portugal. Para isso, Amália criou o Fado-canção, espécie de osmose entre o fado e outros estilos musicais, e também recorreu a poetas de renome (David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, etc.) para criar as suas letras, o que foi um avanço enorme para enobrecer culturalmente o Fado.




José Afonso - Multifacetado. Começou no Fado Coimbrão, passou pela chamada música de intervenção, criada em oposição à ditadura do Estado Novo, acabando a carreira recriando a música tradicional portuguesa, usando a voz da mesma forma como Paredes tocava guitarra portuguesa. Hoje é visto como uma referência da Folk Made in PT.




Alfredo Marceneiro - Outro Fado. O representante máximo do Fado anterior a Amália, popular e boémio. Fadista que nunca perdeu as suas raízes, da sua obra destaca-se A Casa da Mariquinha.




Adriano Correia de Oliveira - O itelectual da luta. Mais um fadista de Coimbra que abraçou a causa anti-fascista, ficará para sempre na memória colectiva com o tema "Trova do vento que passa", com letra de Manuel Alegre.




Carlos e Lucília do Carmo - Old vs New. Confesso que desconhecia Lucília do Carmo, eminente fadista do fado tradicional, o chamado Fado Corrido. Foi uma das pioneiras da exportação do Fado, fazendo várias tournées na Brasil. Já Carlos do Carmo, filho de Lucília, foi (E ainda é) um dos maiores embaixadores do Novo Fado que nasceu com Amália Rodrigues, popularizando temas como Os Putos, Um Homem na Cidade, Canoas do Tejo ou Lisboa Menina e Moça. No início da carreira Carlos editou dois discos em colaboração com a sua mãe Lucília, sendo possível ver aí o contraste entre o Fado Tradicional cantado pela mãe e o chamado Novo Fado interpretado pelo filho.




Filarmónica Fraude - E porque nem tudo em Portugal foi Fado nos Anos 60, importa lembrar um dos vários grupos Pop da época. Por mim elegia o Quarteto 1111, mas os leitores escolheram este, famoso por ter participado no Festival de Vilar de Mouros 1971, espécie de Woodstock à portuguesa e que contou com um então imberbe Elton John(!).

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Amor e uma cabana




A mulher é para nós, naturais de marte, um ser misterioso.

Talvez pela sua natureza complexa que lhe permite ter uma capacidade superior de criar pontes de entendimento com os outros, bem como uma sensibilidade apurada e um pragmatismo sempre presente.

E era sobre este último ponto que queria falar, Marx e Engels só poderiam ter nascido homens, pois caso contrário nunca teriam criado e defendido as utopias comunistas. E quem diz estas, diz outras, pois o pragmatismo feminino impede-as de, no momento da verdade, esquecer tudo e avançar para o desconhecido.

Então e o "Amor e uma cabana?", essa utopia propagandeada por tantas venusianas?!?

Essa frase lembra-me outra, que é a seguinte:

"Eles preferem as loiras...
...Mas depois ficam com as morenas."

O amor/humor/atracção/paixão/química/tesão/whatever que as faz cair pelo beicinho num primeiro impacto dá lugar a outras qualidades quando elas pretendem relações mais estáveis, entrando aqui em jogo o tal pragmatismo.

Desde logo a estabilidade. E não só a emocional, pois a financeira e social encontram-se no mesmo pé da primeira, sendo o casamento visto por muitas como a forma mais natural "de se orientarem", a si e à sua (futura) prole, caçando o homem ideal para o efeito.

O amor? Esse fica esquecido num canto escondido da memória, ou então, mentalizam-se todos os dias que aquele homem que lhes providencia a dita estabilidade e com quem fazem amor aos sábados à noite ao ritmo de um relógio suiço "é que é".

Aventura? Emoção? Isso não é para elas...Importante são os filhos e a posição social obtida.

No fundo, "Amor e uma cabana" é uma utopia que elas gostam de ver em novelas porque imaginam ser algo impossível de lhes acontecer.

É o tal pragmatismo em acção...

Calinada do dia

Tentar falar russo com ucranianos...

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Link do dia

O talibã português em entrevista

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Comentário que virou post

A propósito do Bloco de Esquerda ser contra rodeos:

Salvaterra de Magos, pequena aldeia de Trotskistas irredutíveis rodeada de localidades burguesas e estalinistas, permite rodeos.

Conclusão: O rodeo não é ideológico, é apenas estúpido.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Link do dia

Saramago é uma besta. E a culpa é da democracia.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Forever Young

Uma das vantagens de ter 33 anos é já não estarmos subjugados ao anátema do "Ser Jovem".

Não nos sentimos velhos, mas também já nos mentalizamos que não temos 18 anos, com tudo o que isso acarreta.

Agora diverte-me encontrar colegas de trabalho nos "Vintes" descobrirem que o "Forever Young" apregoado por uma certa música(1) não é mais que uma balela, pois haverá sempre alguém mais novo que nós pronto para ser a nova "mascote", empurrando as anteriores mascotes para uma segunda linha porventura mais obscura mas também mais real.

"Ser Jovem" é uma fase, não uma qualidade.

(1) - Mais uma razão para sentir os 33 anos, lembrar-me da versão original desta música. Desta e de outras. Pior, lembrar-me dos Anos 80 e recordar que ao contrário da memória vigente em 2009, os 80's não foram só descoberta, eyeliner e glamour (Nem todos vivemos em Lisboa), esses anos também foram kispos, Zundapp's e matinées ao Domingo em barracões que alguém se lembrou de chamar "discotecas".